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COMUNICAÇÕES

Dirk Niepoort na Portucalense

Dirk Niepoort na Portucalense

Dirk Niepoort, enólogo e produtor, esteve na Universidade Portucalense (UPT) a falar do futuro do Douro, onde se mostrou preocupado com o facto de o vinho do Porto estar a ser vendido na Europa abaixo do preço de custo e defende que é necessário travar o excesso de produção para defender a notoriedade da região demarcada.

Para o Niepoort, o Douro deve ser associado ao vinho do Porto, ao vinho de mesa e ao turismo. “É a zona mais bonita do mundo. Há um excesso de beleza. Temos de trazer para aqui mais pessoas, saber receber bem e apostar numa cozinha regional boa”.

Face ao desafio da internacionalização que se coloca ao setor, Dirk Niepoort considera: “podia fazer-se melhor do que se está a fazer, mas não nos podemos esquecer que começámos tarde. O salazarismo destruiu o país ao não incentivar a exportação. Tínhamos produtos excelentes, anónimos, vendidos a um preço muito baixo. O país esteve fechado e sem dinheiro durante muitos anos e esse passado paga-se”.

Como “otimista racional”, acredita que existe um enorme potencial de crescimento. “Portugal é um tesouro fantástico. Temos 450 castas e não há muitos países no mundo com estas características, talvez só a Grécia e a Arménia. É também muito positivo para o país ter vinhos com personalidade”.

Defendeu que “a natureza é que faz o vinho” - e não os ‘winemakers’- e que a função do produtor e enólogo é “respeitá-la”. Revelou que gosta de ouvir as pessoas mais velhas. “Estudar é importante, mas temos de conciliar os conhecimentos de hoje, que são excelentes, com a experiência e o conhecimento empírico dos mais velhos”.

Dirk Niepoort representa a quinta geração de uma família holandesa ligada à produção do vinho do Porto. É o responsável pela aposta da marca na produção de vinhos de mesa, na diversificação das regiões de produção (Bairrada e Dão) e na exportação para novos mercados internacionais. A partir de 2009, as vendas de vinho de mesa da Niepoort superam as vendas de vinho do Porto, revelando o êxito da estratégia de negócio. A empresa mantém-se cem por cento familiar e continua a direcionar-se para nichos de mercado.

O enólogo e produtor foi o orador do seminário “O futuro do Douro” que encerrou a 1ª edição do Short Master em Escanção – Especialidade de Vinhos, no último dia 18 de janeiro.